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Doutrina Social da Igreja

O Ensino Social da Igreja resulta de uma leitura da realidade global em que o ser humano vive e se desenvolve, levando em conta a inviolável dignidade de pessoa humana por ser criado à imagem e semelhança de Deus. Leitura essa que a Igreja faz com certa periodicidade, à luz fundamentalmente do evangelho e com o auxílio necessário das ciências para objetivar os dados. O diagnóstico desse contexto social global mostrará as condições em que o povo de Deus vive, em decorrência da eficiência ou deficiência com que os órgãos, entidades e líderes responsáveis do bem comum agem, no gerenciamento ou administração dos bens em geral e particularmente na distribuição da renda nacional.

É obvio que defrontar-se com essa realidade social global deve gerar reações, ações e atitudes transformadoras dessa realidade, na medida em que ela não seja condizente com a dignidade da pessoa humana. Assim, todo cristão sensibilizado deverá sentir-se intimado e convocado a ser agente transformador dessa realidade. Atitude essa que dará verdadeiro sentido a sua vida temporal aqui na terra, e a sua fé e comunhão com Deus, consigo mesmo, com os demais, com  o mundo e com a natureza. Por isso, é muito importante que “os cristãos de ardorosa fé” não fiquem apenas no conhecimento e domínio da bíblia, mas que, em vista de se inserirem protagonicamente no mundo, como fermentos, sal e luz, descubram esse maravilhoso tesouro chamado Doutrina Social da Igreja contida nas Encíclicas ou Cartas papais que a continuação resumidamente apresentamos:

Rerum Novarum, de Leão XIII, de 1891 que condenou o socialismo, criticou o capitalismo e defendeu um salário digno e justo;

Quadragesimo Anno, de Pio XI, de 1931 que tratou das novas situações sociais, da crise de 1929, da importancia do sindicalismo e da propriedade, além de outros  assuntos importantes;

Divini Redemptoris, de Pio XI, em 1937 condenou o comunismo e afirmou que o liberalismo lhe preparou o caminho. Denunciou a perseguição dos cristãos e sentenciou que a DSI é oposta ao comunismo;

Mater et Magistra, João XXIII em 1961, aos 70 anos da Rerum Novarum. precisou o papel do Estado, falou do princípio da subsidiariedade, da solidariedade, da participação e da colaboração entre as nações;

Pacem in Terris, João XXIII em 1963, tratou das relações entre pessoas, entre pessoas e nações, da justiça no mundo, da marginalização, do bem comum;

Populorum Progressio, de Paulo VI, em 1967, tratou do desenvolvimento dos povos, da universalidade da questão social, do desenvolvimento integral e solidário da humanidade, etc.

Octogésima Adveniens, Carta Apostólica de Paulo VI em 1971 comemorando os 80 anos da Rerum Novarum. Afirmou que a doutrina decorre de uma reflexão que é feita em permanente contato com as situações do mundo à luz do Evangelho e marcada por uma vontade de serviço e voltada preferencialmente para os mais desfavorecidos;

Laborem Exersens, de João Paulo II, em 1981 comemorando os 90 anos da Rerum Novarum. tratou dos temas trabalho e dignidade, afirmou a primazia do trabalho sobre o capital e salientou os direitos dos trabalhadores;

Centesimus Annus, de João Paulo II, em 1991, comemorando os 100 anos da Rerum Novarum. Tratou da queda dos regimens comunistas, afirmando que a causa principal foi seu ateísmo. Tratou dos problemas da ecologia, da família, declarou iníquo o pagamento da dívida externa, na medida em que ela levava à miséria aos países endividados.

E, finalmente, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, redigido pelo Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, por vontade do Santo Padre João Paulo II, no dia 25 de outubro de 2004. Trata-se de uma compilação da íntegra de todas as Encíclicas Sociais até agora produzidas pela Igreja Católica.